O nome “estruturas privilegiadas” foi originalmente sugerido para benzodiazepinas, mas atualmente é aplicado de forma geral para estruturas da “classe de compostos que se ligam a várias superfícies de receptores de proteínas” (1). Este artigo verifica se os estilbenóides, representados por seus membros principais Resveratrol e seus análogos, se encaixam nesta denominação de estruturas privilegiadas. Na maioria das vezes, as plantas biossintetizam estes metabólitos secundários para fins específicos. O resveratrol é uma fitoalexina, substância produzida como resposta a uma ameaça biótica ou abiótica para a planta. É possível imaginar que tal estrutura tenha um potencial natural de se ligar a várias classes de estruturas proteicas para desencadear uma variedade de respostas.
O acúmulo de resveratrol nas células de plantas aumenta em resposta a infecções fúngicas (estresse biótico) ou outros estresses físicos tais como radiação UV, ultrassom, cortes e resposta a invasão de substâncias químicas como peróxido de hidrogênio, paraquato, etc. (3). O resveratrol é um trans-estilbeno submetido a isomerização sob radiação UV. A forma trans do resveratrol que apresenta um espectro muito mais amplo de atividade farmacológica que o isômero cis. É a observação prematura de que o resveratrol é a substância por trás do “Paradoxo Francês” que deu a esta substância química sua notoriedade mais ampla. As pessoas do sul da França têm baixa taxa de mortalidade por doença coronária, apesar da dieta com alto teor de gordura e hábito tabagista. Este chamado “Paradoxo Francês” foi atribuído ao consumo de vinho (4), considerado responsável pelos benefícios e proteção cardiovasculares. A ocorrência de resveratrol e seus glicosídeos no vinho tinto, além de estudos que indicam a relação do papel cardioprotetor do resveratrol definiram os efeitos benéficos deste estilbeno.
Desde então, várias atividades farmacológicas forma associadas a este composto, e seus análogos próximos foram submetidos a diversos estudos. Os efeitos cardioprotetores do resveratrol incluem a inibição de oxidação LDL, supressão de agregação plaquetária, redução em danos ao miocárdio durante isquemia-reperfusão (I-R) e modulação de funções das células vasculares (5). Os efeitos cardioprotetores sobre I-R foram correlacionados com a atividade antioxidante (6) e produção de NO (7). A restrição calórica foi associada ao aumento da longevidade. Por outro lado, o aumento da longevidade está associado à redução das taxas de incidência de câncer, diabetes, inflamação e disfunções cardiovasculares. Há uma forte relação entre a ativação da enzima SIRT1 e restrição calórica que levou a vários estudos empolgantes. O resveratrol demonstrou ativação da enzima SIRT1, imitando a restrição calórica, e também resultou na extensão da vida de múltiplos organismos (8). Isso despertou grande interesse nos estilbenos em geral. Investigações experimentais demonstraram tal suplementação alimentar.






